Se você precisa mesmo ir, então vai. Não sou eu quem vai lhe abrir a porta e lhe mostrar o caminho sem volta daquelas ruas e de um mundo inteiro longe de mim, longe de nós. Mas, se você já conhece o percurso e isso lhe atrai, também não sou eu quem vai te segurar. Afinal, o que estaria ao meu alcance para impedí-lo se eu já nem te alcanço mais? Não vou esconder suas roupas, suas chaves, seu passaporte, seus documentos. Não vou amarrá-lo ao pé da minha cama, nem me jogar aos seus pés implorando pela sua presença, pela sua permanência. Se eu bato os pés e puxo os cabelos, se eu grito seu nome, se eu seguro os seus braços, vou estragar tudo; vou derramar luto sobre uma história que foi tão colorida enquanto durou. Vou sentar e assistir a tudo com calma. Porque permitir que você parta é como salvar a nós dois. É como colocar em formol os pedacinhos de romance que eu quero levar para a vida, sem danificá-los com escândalos e apelações. Quero nossos pedaços limpos, ainda que separados.

É evidente que sentirei sua falta, mas a distância é benéfica quando se sente saudade. Por isso mesmo, permito e até insisto para que você se vá. Ninguém nunca nos conta essa parte da história, mas a distância é uma bênção quando se perde alguém. A distância é a desculpa perfeita para chorar sobre um travesseiro vazio, que antes era morno e ocupado por algo pulsante, vivo. Sofrer por saudade à distância é até poético; é legalizado e completamente aceitável. O que não se pode é sofrer por saudade quando aquela pessoa está deitada ali, ao seu lado. As leis e a própria lógica não nos permitem sentir falta daquilo que ainda não se afastou de nós. E justamente por isso, prefiro que você se afaste. Para eu ter permissão de sentir essa dor, essa perda, essa saudade tamanha que eu sinto todos os dias quando tenho você ao meu lado, sem estar entregue a mim. É que você não percebe, mas já se foi há muito tempo. Seu corpo continua próximo ao meu, às vezes até colado, mas sua essência – aquela pela qual me apaixonei – já se perdeu de mim. A partida física é só uma consequência, seguida da porta fechada às suas costas. E posso até respirar aliviada porque, depois que você sair, finalmente os outros vão entender o que sinto quando digo que você partiu.

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