Pode ser saudade de um gosto, de um aroma, ou de uma melodia, mas nada se compara a saudade de um amor correspondido. O destino nos apresenta diversas armadilhas e uma delas é a separação, é a distância. A pior sensação é quando você tenta lembra detalhadamente a fisionomia da pessoa amada e a memória falha. Os gestos, os traços, e até os defeitos vão se tornando menos nítidos. Falta um pedaço do quebra cabeça chamado de convivência. A imagem que se projeta no seu cérebro é um esboço.

Nos encontramos em terras estrangeiras. Eu me apaixonei logo que te vi e vivemos felizes por longos curtos meses, sempre sabendo que a distância ia se pronunciar em certo momento. E assim aconteceu. Quando nos separamos pela primeira vez, achei que senti saudades na primeira semana… Quem dera. Aquilo era medo, mudança de rotina, realinhamento. A saudade bateu mesmo quando tive dificuldade de lembrar exatamente de como era o seu rosto, o seu corpo, os seus traços errôneos e perfeitos.

Aquela saudade era tão grande que nenhuma distância iria nos manter separados por muito tempo. O melhor lugar do mundo era deitada no seu peito. Depois de mais de 8000 km de viagem, estávamos juntos novamente, no deleite do nosso inesquecível amor. Mesmo com o coração em chamas, a separação, aquela que estava fadada a acontecer, se apresentou definitivamente meses depois. Dessa segunda vez, fui mais esperta, pelo menos era o que eu acreditava na minha doce ilusão. Antes da despedida, ele se deitou na cama, nu, vulnerável, suscetível ao meu toque. Eu registrei cada parte do seu corpo através dos meus dedos, dos meus olhos, dos meus lábios e das minhas lágrimas. Cada detalhe está guardado comigo, as imagens e as sensações estão vívidas em mim. Ao fechar os olhos, consigo reviver aquele silencioso momento, os meus lábios sorriem e o meu coração acalma. E a saudade? Não é que ela requisitou a sua voz. Essa não deu tempo para registrar.

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nathifrota

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