Por aqui as coisas sempre foram uma bagunça sabe? Sinto informar que nada esta diferente por hora. A realidade é que as coisas continuam devidamente colocadas fora de seus respectivos lugares de origem. O fato é que eu não tenho paciência de arrumar tudo isso sozinha, entende? Gosto de terminar as frases com perguntas pra ver se assim, por alguma sorte de um acaso qualquer, eu consigo organizar pelo menos as questões que ecoam na minha mente durante todo o dia. Talvez você possa me ajudar, talvez não, vai saber.

Me peguei contando um fato romântico que aconteceu na vida de uma amiga para outra amiga e finalizei o texto dizendo que aquilo havia sido tão lindo que eu quase acreditei no amor outra vez. Quase. Depois disso parei alguns segundos para entender o que eu havia dito. Como assim eu quase voltei a acreditar no amor? Qual foi a hora que eu deixei de acreditar? Talvez quando a primeira caixa saiu do lugar e eu tive preguiça de recolocá-la onde devia. Talvez tenha sido quando precisei parar de arrumar as minhas caixas para consertar as de outras pessoas, enquanto as minhas permaneciam abertas e transbordando. Talvez tenha sido quando me enganaram outra vez e eu vi, realmente, o chão se abrir diante dos meus pés. Vai saber.

Você entende o quão cansativo é viver no meio da bagunça? As caixas estão abertas, umas meio lotadas e outras meio vazias, depende do que esta escrito no rótulo fora delas. Juro que eu já tentei arrumar, mas sempre falta algo que me ajude a acabar com a mudança de uma vez. Existem tantas coisas a se mudar. É, eu sei que isso tudo é complicado mas eu também tenho me esforçado para arrumar, inclusive precisei ser sincera com você a ponto de dizer que eu sou assim e me encontro nesta bagunça.

Só queria deixar avisado que você vem entrando, de mansinho e com esse sorriso torto estampado no rosto, mas que não existe como não reparar na bagunça. Inclusive, me desculpe por isso, mas não há como não reparar nas caixas abarrotadas de decepções e noites de insônia. Eu sei, eu sei que isso não é bom, você não precisa repetir. Agora, se estiver disposto a pregar algumas prateleiras na parede, perto da janela e perto do armário, eu agradeceria. Se estiver disposto a lixar e pintar aquela estante antiga, acho que umas duas caixas cabem ali. E assim aos pouquinhos, melhor que esconder a bagunça, eu a ajeito. Com sua ajuda, não para sumir com as decepções ou antigas boas lembranças, mas com sua ajuda para reconstruir. E, isso é nosso segredo, mas desde que você chegou, algumas caixas já foram ate lacradas.

Texto por Aline Madera. Conheça!

Post Anterior

Nega Maluca com Nutella

Próximo post

Crochê, o queridinho da vez

A Autora

Ivana Rebeschini

Ivana Rebeschini

Gaúcha, criadora do Verdade Feminina, publicitária, nascida em Porto Alegre, 28 anos e mãe da Demi (uma linda bulldog francês). Apaixonada assumida pelo mundo da moda e da beleza.